domingo, 26 de janeiro de 2014
Danger capitulo 12
Estava deitada na minha cama, pensando nas coisas – vida e isso não é bom. Veja, eu tenho tendência de pensar demais nas coisas. E é por isso que eu odeio ficar acordada quando estou tentando dormir. Prefiro bater com a cabeça contra uma parede. Me chame de louca, mas acaba comigo pensar nas coisas.
Suspirando, sentei-me na cama, massageando minhas têmporas, tentando me acalmar antes que eu enlouquecesse.
São quase duas da tarde, eu estou exausta e ainda assim o sono não me vencia e eu não tenho ideia dos motivos para isso acontecer.
Meus pais estão trabalhando e só voltam mais tarde. Estou presa aqui com meus pensamentos. Não é uma boa combinação.
Se pelo menos eu não estivesse de castigo, teria saído e ido para a casa de Carly ou algo do tipo.
Cobrindo-me com o cobertor, deitei de lado, deixando meus pés para fora da cama. Olhando ao redor, tentei encontrar alguma coisa que poderia prender minha atenção… Mas não tive tanta sorte.
Meus pais tiraram tudo. Minha TV, computador, iPod, laptop… Mp3 Player (não me pergunte por que eu ainda tenho um desses, porque eu não sei) e celular.
Sim, eles tiraram meu celular apenas uma hora depois de eu entrar em casa novamente, o que, para a minha surpresa, eu consegui fazer seguramente. Se pelo menos eu tivesse tido essa sorte da última vez!
Então, agora, estou presa aqui, em casa e entediada, fazendo absolutamente nada e pensando em tudo.
Levantando da cama, fui para o banheiro, onde tirei minhas roupas as jogando no cesto de roupa suja antes de entrar no chuveiro e deixar que a água quente tocasse minha pele.
Isso parece sexo – desculpe a analogia.
Movendo meus braços para cima e para baixo, eu me senti corar quando pensamentos sobre Justin passando suas mãos em mim surgiram em minha mente. Mordendo meu lábios, eu acariciei meu pescoço, imaginando Justin depositar suaves beijos ali.
Gemi para mim mesma, a imagem tão vivida como se estivesse acontecendo… como se fosse real.
Meus olhos se arregalaram, minha boca ficou entreaberta e minhas mãos congelaram no lugar. Eu olhei ao meu redor, percebendo que estava no chuveiro, sozinha, sem nenhum Justin por perto.
O que acabou de acontecer?
“Você teve pensamentos sexuais com Justin.” – minha mente zombou, me fazendo estremecer.
Amaldiçoando-me mentalmente, eu rapidamente terminei de me lavar, desligando a água. Saindo do chuveiro, peguei uma toalha, envolvendo-a contra meu corpo.
Caminhando para o meu quarto, eu rapidamente vesti calças de moletom e uma camiseta antes de secar meu cabelo com a toalha. Sentei na ponta da minha cama e passei meus dedos pelo cabelo, fechando meus olhos com força.
Eu realmente fiz o que eu acho que fiz no chuveiro? Não quero acreditar. Não poderia. Quer dizer… eu? Pensando em Justin… daquele jeito? Não conseguia imaginar.
"Mas você já o fez antes.” minha mente falou novamente, me deixando brava.
Eu deitei na cama, deixando meus pés penderem. Estava perdendo a cabeça, não tinha outra explicação para isso.
Quer dizer, como eu, Kelsey Anderson, fiz aquilo? Pensei daquele jeito?
É possível, eu sei.
Mas sobre Justin?
Me mate. Agora.
“Ele é gostoso e você sabe disso.” A voz falou de novo.
Eu sei que ele é gostoso. Ele é lindo, mas também é um criminoso. Um criminoso gostoso, ousado, misterioso…
Para, Kelsey, pare de pensar assim. Ele ainda é um assassino bipolar.
Eu me corrigi mentalmente.
Gemi.
Por que a vida tinha que ser tão confusa?
- Kelsey! – A voz irritante do meu irmão me chamou.
- O que?! – cuspi da pergunta. Não estava com humor para as suas besteiras.
- Carly está aqui! – Ele gritou de volta.
Fiquei imediatamente de pé, escancarando a porta e descendo as escadas, onde, de fato, Carly estava.
- Carly! – gritei, a puxando para um abraço apertado.
Carly era a perfeita distração de qualquer pensamento que envolvesse Justin.
Ela riu, me abraçando de volta.
- Hey, Kelsey.
- O que está fazendo aqui? – perguntei, lembrando que ela não sabe que eu estou de castigo.
- Por quê? Não posso visitar minha melhor amiga? – Ela me dirigiu um olhar surpreso com um sorriso divertido, me dizendo que só estava brincando.
Eu ri.
- Não, é claro que pode. Só… esqueça. – sacudi a cabeça.
Ela me olhou estranho.
- Ok? – Ela riu antes de entrar na sala de estar, onde Dennis jogava vídeo game.
- Vaza, perdedor. Carly e eu precisamos conversar. – apontei para atrás de mim, sinalizando a escada.
- Não. – Ele continuou jogando.
Eu ergui uma sobrancelha.
- Tem certeza? – caminhei até o seu Xbox, me abaixando até o botão – Vai dizer que eu não faria…
- Ok! – Ele pulou de pé, seus braços a sua frente, implorando para que eu não o fizesse.
Ele sabia que não deveria mexer comigo.
Sorri em vitória.
- Fora.
Ele revirou os olhos, pausando o jogo e subindo para o seu quarto. Eu me virei para Carly com um sorriso satisfeito.
- Sempre dá certo.
- Você é tão má com ele.
- Não, eu não sou. – me defendi. – Ou ele sai ou ele nos escuta. – dei de ombros, sentando ao seu lado no sofá.
- Tanto faz. – revirou os olhos para mim. Eu mexi nas unhas, esperando que ela começasse a conversa. Obviamente ela veio aqui por algum motivo, fora o fato de querer me ver.
Como esperado, ela começou a falar.
- Onde você foi depois da festa de ontem? Você, tipo, desapareceu!
- O que?! Eu estava procurando você! – a dirigi um olhar incrédulo. Eu podia jurar que meus olhos iam cair das órbitas.
- Quando?
- Exatamente! – joguei as mãos no ar. – Você nem sabe quando. Para onde você foi? Eu estava tentando encontrar você e você tinha me deixado.
- Eu não deixei você! Eu fui ao banheiro.
- Como você foi ao banheiro? Não estávamos em uma casa!
Ela congelou, fechando a boca antes de corar e olhar para baixo, envergonhada.
- Bem, você sabe… eu…
- Oh, Deus, Carly… Para onde você foi? – Eu podia imaginar todos os cenários possíveis.– você não foi para a casa de algum cara, foi?
- O que?! Não! – Ela sacudiu a cabeça vigorosamente.
- Então para onde você foi? – franzi as sobrancelhas.
- Eu, bem… eu realmente precisava ir ao banheiro e como você disse não havia nenhum então eu meio que fui até a floresta e bem, fiz xixi. – Ela olhou para longe.
Minha boca se abriu em choque.
- Carly! – gritei.
- O que? – Ela evitou meu olhar, envergonhada.
- Isso é nojento! – continuei gritando. – Isso é pior do que ir para a casa de um cara! Eu preferiria que você tivesse ido para a casa de um estranho do que para a floresta!
- Shh! Pode parar de gritar? Seu irmão está lá em cima! – Ela falou para mim.
- Eu não ligo! Você não sabe se alguém viu você ou se havia alguma criatura lá.
Carly nem sempre era a mais inteligente de nós, mas droga, não imaginei que ela fosse tão estúpida.
- Eu sei, mas eu tinha bebido muito e precisava mesmo ir ao banheiro. – Ela olhou para longe de novo.
Suspirei.
- Você é maluca, sabia disso?
- Mas você me ama, não é? – ela piscou, me dirigindo um olhar “fofo”
Eu ri.
- Só estou feliz que nada aconteceu com você. – lembrei do momento em que vi Justin e sua gangue na floresta.
- E você? – Carly voltou a me olhar.
- O que tem eu?
- Para onde você foi? Eu estava te procurando e não conseguia te encontrar.
- Eu… – pausei. Eu não poderia contar sobre Justin e o que vi. Prometi que não iria falar nada e bem, eu não queria morrer. – Eu vim para casa. Quer dizer, estava ficando tarde e eu achei que você tivesse ido embora. – dei de ombros despreocupadamente.
Odiava mentir para ela (ou pra qualquer um). Mas eu tinha um bom motivo e valia a pena mentir.
- Desculpe. – Ela me deu um olhar sincero.
Eu sorri. Carly era sempre a mais calma. Mesmo que ela se fizesse de durona, ela odiava magoar as pessoas. Não que ela tivesse me magoado ou coisa assim.
- Tudo bem.
Carly estava prestes a falar algo quando alguém a interrompeu.
- Kelsey? – olhei para cima para ver minha mãe no hall de entrada.
- Oh, olá, Senhora Anderson. – Carly sorriu educadamente, acenando para ela.
- Olá, querida. – Minha mãe sorriu de volta – Como você está?
- Estou bem e a senhora?
- Estou bem.
Estranho… minha mãe não disse nada sobre Carly estar aqui…
- Isso é ótimo, querida. – Minha mãe sorriu novamente. – Não leve isso a mal, mas o que está fazendo aqui? – Ela uniu as sobrancelhas, arrumando a alça da bolsa no ombro.
Ops, falei cedo demais.
- Só passei para falar com Kelsey. – Carly apontou para mim com sua mão.
- Oh, me desculpe, querida, mas Kelsey está de castigo.
Carly virou seu rosto para me olhar.
Mordi o lábio inocentemente.
- Ela não te contou? – Minha mãe questionou.
- Você pegou meu celular, lembra? – falei o mais docemente que podia.
Ela apenas me ignorou.
- Não, ela não me contou .– Carly me olhou.
Dei de ombros.
Carly olhou de volta para a minha mãe.
- Sinto muito, Senhora Anderson. Eu não sabia. – Ela ficou de pé.
- Tudo bem, não se preocupe com isso.
Carly olhou para mim.
- Eu vejo você…
- Na escola. – Minha mãe falou por ela.
- O que ela disse. - falei, apontando para mamãe.
Ela assentiu antes de se virar para a minha mãe.
- Tudo bem, desculpe a intromissão.
- Você não interrompeu, querida. Diga a sua mãe que eu mandei oi. – Ela acenou para Carly, que saiu da casa.
- Eu não disse que você estava de castigo? – Minha mãe olhou para mim.
- Você não disse que ia trabalhar? – rebati.
- Não use esse tom comigo! – Ela avisou com os olhos estreitos.
Eu olhei para longe.
- Vadia. – murmurei, baixo o suficiente para que somente eu escutasse.
Mas ela tinha ouvidos de falcão e ouviu. Caminhando até mim, ela ficou bem na minha frente.
- O que foi que você disse?
- Eu disse, o que você está fazendo em casa? – ignorei seu olhar.
Ela deixou passar, sem querer começar uma briga.
Obrigada, Jesus Cristo.
- Eles me deixaram sair mais cedo porque os pacientes de hoje já haviam sido recebidos e não teria mais nada para fazer no escritório. – Ela começou a caminhar para a cozinha.
- Oh, tudo bem. – me levantei do sofá, virando-me para caminhar para longe quando sua voz me impediu.
- Não quero outro convidado surpresa, Kelsey. Lembre-se, você está de castigo.
- Como poderia esquecer? – murmurei antes de erguer um polegar positivamente e fingir um sorriso. Ela sacudiu a cabeça meramente, voltando para a cozinha.
Subindo as escadas, eu abri a porta do quarto do meu irmão, colocando a cabeça para dentro para vê-lo jogando uma bola de basquete no ar antes de pegá-la, repetindo.
- Você pode descer agora. Carly já foi e mamãe está em casa.
- Uhum. – Ele pulou da cama, largando a bola de basquete em uma pilha de roupas antes de correr escadas abaixo.
Eu balancei a cabeça antes de entrar no meu quarto, fechando a porta atrás de mim.
Caminhando até a minha cama, eu me joguei nela, caindo de cabeça nos travesseiros. Antes que eu percebesse, o sono me atingiu e meus olhos se fecharam.
-//-
Thump
Me virei na cama, deitando de lado.
Thump
Gemendo, tentei ignorar o barulho.
Thump
O que raios…?
Virando, eu olhei para o relógio perto da cama que marcava 8:45 P.M.
Crash, bump, thump
- Merda! – eu ouvi alguém resmungar.
Sentei na cama quando percebi que o som vinha do meu quarto.
- Dennis? – chamei, baixinho.
Nenhuma resposta.
- Mãe?
Ainda sem resposta.
- Pai? – Agora, eu lentamente fiquei de pé, colocando meus pés no assoalho de madeira, meu coração acelerava com cada passo que eu dava. – Tem alguém aí?
Caminhando para onde eu havia escutado o som, senti meu coração afundar quando vi minha janela aberta. Lembro de tê-la fechado.
Virando-me, eu esbarrei em algo, ou devo dizer, em alguém.
Eu abri a boca, pronta para gritar até meu cérebro sair pela boca quando uma mão cobriu a mesma. Eu comecei a ficar apavorada, tentando tirar a mão da minha boca.
- Quer se acalmar?! Sou só eu! – ouvi alguém sibilar.
A voz soou muito familiar. Ao me acalmar o suficiente para que a pessoa tirasse a mão da minha boca, me virei para ver Justin parado na minha frente.
- O que, porra? – sibilei quietamente, lembrando que minha mãe estava no andar de baixo.
- Dá para parar de falar tão alto? Você está me dando enxaqueca.
Estava prestes a responder a sua estúpida pergunta quando as luzes do lado de fora iluminaram seu corpo, criando um brilho suave e contrastante com a cor da sua pele. Mas não era uma cor qualquer.
Era sangue.
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