domingo, 26 de janeiro de 2014

Danger capitulo 11


No fim eu não tinha mais escolha, porque enquanto eu decidia, Justin abriu minha porta e esperou ao lado dela para que eu descesse. Saindo, eu fechei a porta antes de caminhar até o seu lado. Eu estava prestes a falar alguma coisa quando Justin me cortou.
- Me segue! – ele apontou para o armazém.
Assenti sem dizer uma palavra sequer, o seguindo quando ele começou a caminhar. Abrindo a porta, Justin entrou, a segurando aberta para mim e a fechando suavemente atrás de nós quando entrei.
Quando ele se aproximou de mim para fechar a porta, percebi que seu maxilar estava relaxado e ele havia se acalmado.
Franzi as sobrancelhas. Como alguém poderia ir de normal para a raiva e então para a calma no período de uma hora?
- Você vem ou não? – saí dos meus pensamentos para descobrir que Justin já estava do outro lado do local.
Olhando ao redor, eu comecei a andar lentamente, sem dizer uma palavra. As paredes estavam rachadas, alguns pedaços do telhado caídos me fazendo questionar o que diabos havia acontecido.
- O que aconteceu aqui?
Justin não se virou. Ao invés disso, continuou caminhando.
Por um segundo, pensei que ele estivesse me ignorando e eu estava prestes a perguntar novamente quando ele parou do lado de fora (depois que já havia atravessado a porta dos fundos) e colocou as mãos nos bolsos dos jeans, olhando para o céu.
Eu tirei meus olhos dele e vi o que ele olhava. Instantaneamente, meus olhos se arregalaram.
Estávamos no topo de uma colina, o céu tingido em rosa, laranja, amarelo e roxo. As nuvens passeavam, o sol se pondo na nossa frente. Dava para ver metade da cidade daqui de cima. Era incrível.
- Legal, huh? – ele perguntou, calmamente.
Não desviei os olhos da linda vista à minha frente.
- É, sim, – respondi. – É esplêndido. Nunca tinha visto nada parecido.
Ele assentiu.
- Como encontrou esse lugar, se me permite perguntar? – finalmente tirei meus olhos do céu para olhá-lo.
Ele ficou ereto, em perfeita postura.
- Depois que esse lugar quase virou cinzas, – isso respondia minha pergunta. – eu vim checar e quando eu cheguei aqui, vi isso, – ele gesticulou para a vista. – e me apaixonei instantaneamente. – se virou para me olhar, um expressão solene em seu rosto.
Eu coloquei uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.
- É legal, queria ter um lugar como esse. – admiti, enquanto olhava para o céu mais uma vez.
O silêncio nos envolvia até que Justin falou mais uma vez.
- Agora você tem. – Ele falou alto e claro.
Olhando para ele, percebi que agora ele olhava para a cidade.
- Obrigada… – sussurrei, sentindo meu coração pular e meu estômago se encher de borboletas.
Ele realmente quis dizer aquilo?
Eu não sabia, mas esperava que sim.
Ele apenas assentiu, mostrando que havia me ouvido.
Nós ficamos lá o resto do tempo, num silêncio puro, sem nada além do vento fazendo barulho ao nosso redor, de vez em quando um pássaro fazia algum som e alguns esquilos faziam bagunça perto de nós.
Além disso, tudo o que eu conseguia distinguir era o som dos nossos corações.
- Por que esse lugar pegou fogo? – perguntei do nada, admito, mas esse pensamento me deixou curiosa.
Ele lambeu os lábios.
- Negócios. – foi tudo o que disse.
Mordi meu lábio.
- Que tipo de negócios? – Não queria forçá-lo, mas quanto mais eu descobrisse, melhor.
Eu precisava saber no que estava me metendo antes de mergulhar fundo demais.
Ele suspirou.
- Você não vai esquecer, vai? – Ele olhou para mim, nossos olhos presos uns nos outro.
Eu neguei com a cabeça.
Ele lambeu os lábios mais uma vez.
- Os mesmo negócios que eu enfrento todos os dias, – podia ouvir a aflição em seu tom. – Um grupo rival tentou ferrar com a gente, nós revidamos. Eles tentaram mais uma vez e para nos atingir, eles atearam fogo em um dos nossos locais.
Meus olhos se arregalaram.
- Havia alguém dentro quando aconteceu?
Ele deu de ombros.
- Não sei, não ligo. – disse simplesmente. - Tinha outras merdas na cabeça.
Eu ri pelo nariz. O que ele possivelmente poderia ter na cabeça diferente de vidas inocentes sendo tiradas?
- Então você não liga para o fato de pessoas inocentes possivelmente terem morrido? – falei, em grande temor por suas palavras.
Quer dizer, eu sabia que o garoto era um sem-coração, mas não pensei que ele não ligasse tanto assim.
Ele puxou os lábios, fazendo com que se juntassem em uma linha.
- Pessoas que entram nesse negócio sabem o que pode acontecer. Elas escolhem esse estilo de vida. Elas deveriam saber que suas vidas estavam em risco no momento em que concordaram em vender suas almas.
- O que quer dizer?
- Uma vez dentro, não tem como sair. Você sempre vai ser um alvo e será tachado de inimigo por muitos grupos. – seu gogó se movendo gentilmente enquanto ele engolia. – Isso é o que eu quero dizer.
- E você sabe disso em primeira mão?
Pergunta estúpida, eu sei, mas não consegui me impedir.
Ele riu.
- Por que você acha que eu sou esse tipo de cara todos os dias? – Ele olhou para mim com uma sobrancelha arqueada.
Eu dei de ombros.
- Você com certeza consegue agir como se fosse.
Ele riu ameaçadoramente.
- Se chama saber jogar de acordo com o jogo, querida.
- Então, isso tudo é um jogo para você?
Ele deu de ombros.
- Talvez sim, talvez não. – eu sabia que ele queria sorrir pela forma como seus lábios se levantaram, mas rapidamente se acalmaram.
Revirei os olhos.
Ele permaneceu quieto, olhando para longe.
Suspirei. E eu pensei que estávamos conseguindo tirar alguma coisa dessa bagunça.
Eu tirei meu celular do bolso do suéter, olhando para a hora por instinto.
Merda.
- Nós temos que ir.
Ele virou a cabeça para mim.
- Por quê?
- Porque já é tarde e meus pais vão surtar se descobrirem que eu não estou em casa. – disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Seu rosto transpareceu sua compreensão.
- Ah, sim. – Ele se virou, caminhando de volta para dentro do armazém.
Eu o segui através da construção até chegarmos à porta de entrada. Caminhando para o seu carro, eu cliquei no botão, me sentando no banco e esperando por ele.
Após alguns minutos de espera, olhei pela janela para ver que ele havia pego um cigarro e o acendido, tragando algumas vezes.
Timing perfeito. Suspirei com amargura.
Esse garoto… eu não posso.
Abrindo a porta do motorista, Justin sentou-se antes de colocar a chave na ignição e tirar o carro do acostamento, em direção à estrada, o cigarro que ele havia acendido pendendo entre seus lábios.
- Não poderia ter esperado para fumar essa coisa depois? – murmurei.
- Não. – Ele respondeu, despreocupadamente.
Ele parecia tão calmo… era quase anormal. Era estranho.
- Por que está tão calmo? – soltei antes que eu pudesse evitar.
Eu realmente tinha que parar com isso.
Sua expressão trazia confusão.
- O que? – a fumaça saindo de sua boca junto com as palavra.
- Nada. – sacudi a cabeça.
- Não, o que você disse? – ele persistiu.
- Você não vai esquecer, não é? – o imitei, ganhando seu sorriso.
- Só me diz o que você falou. – Ele riu de leve, seu braço esquerdo no descanso de braço.
- Eu disse: “Por que está tão calmo?”.
Ele olhou para mim, me dirigindo um olhar incrédulo.
- Deveria estar diferente?
- Não… bem, eu não sei. – suspirei. – Você está sempre todo raivoso. Isso… isso é novo. – lambi os lábios, mordendo o meu inferior.
Ele riu.
- Desculpe se não estou sempre feliz?
Revirei os olhos brincando.
- Sabe que não quis dizer dessa forma, só… esqueça.
- Tudo bem? – Ele riu, sacudindo a cabeça. – Garota estranha… – murmurou.
Eu o ouvi, mas fingi que não. Não estava com humor para brigar com ele, para ser honesta.
O tempo passou e o carro diminuiu a velocidade até parar a cinco metros da minha casa. Eu olhei para Justin em confusão. Ele revirou os olhos.
- Você não quer que seus pais vejam você descendo do meu carro, quer?
- Certo. – assenti.
Garoto esperto.
- Bem, obrigada. – o dirigi um pequeno sorriso antes de abrir a porta do carro e sair, a fechando suavemente. Eu acenei para ele antes de me virar e começar a caminhar quando sua voz me impediu.
- O que?
- Vem aqui.
Eu caminhei de volta para o carro.
- O que foi? – me abaixei para olhar pela janela aberta.
- Quando vou ver você de novo?
Meu coração pulou em uma batida.
- Eu não sei. Enquanto eu for prisioneira em casa…
Ele assentiu com a cabeça.
- Sabe que sempre pode fugir de novo. – sorriu.
- E arriscar ser pega? Não, obrigada. Uma vez foi o suficiente para mim. – ri de leve.
Ele não disse nada por um tempo, até que religou o carro, pronto para dirigir novamente.
- Então, acho que vejo você por aí, Kelsey.
- É.
Levantando-me e me afastando do carro, o vi engatar a marcha antes de dirigir para longe e em direção ao sol radiante.
Eu caminhei para casa em segurança, com um sorriso bobo no rosto

Nenhum comentário:

Postar um comentário