domingo, 26 de janeiro de 2014

Danger capitulo 6



Passando a mão nos cabelos, Danger mordeu o lábio para se controlar e não sair quebrando as coisas. A última coisa que precisava era ter Kelsey adicionada à sua lista. A número um era que ele havia matado alguém.
Ele não conseguia acreditar que havia sido tão descuidado a ponto de deixar alguém vê-lo fazendo isso. Sempre era cuidadoso com as coisas que fazia. Ele nunca era pego. Nunca. Fazia tudo certo. Nunca havia estragado tudo até esta noite e isso o estava consumindo.
E se tivesse sido um tira ao invés de Kelsey? Danger não conseguia nem pensar no que teria acontecido com ele.
Claro, teria assumido a culpa porque esse é o tipo de pessoa que ele era. Jamais permitiria que seus homens se encrencassem pelas suas ações.
Tudo o que ele conseguia pensar era no que faria com Kelsey e o que os caras diriam quando descobrisse sobre ela.
Puxando as pontas dos cabelos, Danger estava prestes a subir as escadas e voltar para o seu quarto quando um dos caras o viu.
- Yo, Justin. – Bruce, líder do grupo (não próximo como Justin, mas perto) o chamou, sentado no sofá com uma cerveja na mão.
Justin amaldiçoou a si próprio, vagarosamente se virando para ele. Ele assentiu com a cabeça em sinal de que o havia ouvido.
- Fez o trabalho? – Ele tomou um gole da lata, arqueando as sobrancelhas em espera pela resposta.
Justin pausou, debatendo mentalmente se deveria falar ou não.
- É, o trabalho está feito. – sorriu, falso.
- Bom trabalho, Bieber. – Bruce assentiu, impressionado.
“Ele não vai ficar tão impressionado por muito tempo, com certeza.” pensou Justin.
- O vagabundo estava implorando pela vida quando Justin o colocou de joelhos, a arma apontada para a cabeça. Hilário. – Mike se meteu, sentando-se no sofá, a poucos metros de Bruce.
- Aquela merda foi hilária. – completou Marco – Ele achou que se safaria sem ser capaz de pagar o dinheiro. O idiota estava tão fudido que realmente achou que poderia ter uma chance de viver.
- Uma pena Justin ter metido uma bala na cabeça dele. – Dean comentou enquanto abria uma latinha de cerveja, se jogando em uma poltrona.
Justin assentiu, rindo. Ele adorava quando era elogiado e o filho da puta que ele matava era xingado.
- Foi um prazer trabalhar com ele. – Justin sorriu maroto, fazendo sua pequena platéia explodir em risadas.
Sarcasmo era a segunda língua deles, especialmente a de Justin.
Assim que os risos morreram e todos se sentaram - exceto Justin - ele sabia que agora era a hora de mencionar Kelsey.
- Pessoal?
Todos o olharam, prestando máxima atenção.
- Tem uma coisa que eu preciso falar para vocês. – Justin franziu os lábios para o lado, acariciando a parte de trás do pescoço quanto pensava em várias maneiras de contar para eles, se decidindo por falar e esperar a reação de todos. – Eu errei no trabalho.
As sobrancelhas de Bruce franziram.
- Como assim “errou”? Você disse que o tinha matado!
- E matei. – Justin esclareceu.
- Então, o que é? – Marco entrou na conversa, tão confuso quanto os outros.
Justin lutou contra a vontade de revirar os olhos.
- Alguém viu. – ele resmungou bem baixo, mas claro o suficiente para que todos o escutassem.
O silêncio tomou conta do lugar até que Bruce falou mais uma vez.
- O que você quer dizer com “alguém viu”?
- Exatamente o que eu acabei de dizer. Uma garota me viu matar o desgraçado.
Bruce ficou de pé.
- Que porra você quer dizer que uma garota viu? Que porra é essa, cara? – ele cuspiu, tomado pela raiva.
- Eu não sabia! Não havia ninguém por perto quando eu levei o desgraçado para a floresta! – Justin jogou as mãos para o alto. – Você pode perguntar para os caras, tomamos cuidado para que não tivesse ninguém por perto. Mas de alguma forma essa garota apareceu e viu.
Bruce contraiu a mandíbula, fechando os olhos. Respirando fundo para se controlar, ele abriu os olhos.
- Quanto ela viu? – perguntou calmamente.
- Ela me viu matar o filho da puta. – Justin exclamou baixo.
Bruce fechou as mãos em punhos.
- Merda! – resmungou, passando uma mão pelo seu cabelo. – O que aconteceu depois? Ela fugiu? Contou algo para a polícia?
- Você realmente acha que eu estaria aqui agora se ela tivesse aberto o bico? – Justin olhou para Bruce, que meramente deu de ombros. Justin sacudiu a cabeça. – Eu a peguei e saí dali antes que qualquer coisa acontecesse.
A expressão de Bruce suavizou.
- Você a levou? – Justin assentiu. – com você?
- Sim – Justin concordou. – Eu não poderia deixa-la ir depois do que ela viu. Ela está no meu quarto. Mas, olha cara, eu não acho que ela seja idiota a ponto de falar alguma coisa. Durante todo o caminho até aqui a única coisa com a qual ela se preocupava era com os pais dela. – Justin revirou os olhos.
Bruce zombou.
- Você ta brincando comigo?
Marco e Mike começaram a rir.
- Nah, ela me disse que os pais dela são mais assustadores do que eu. E ela também tem uma boca enorme, não se calava nunca, ficava fazendo várias perguntas. – Justin rosnou, baixinho.
- O que ela perguntou?
- O que eu ia fazer com ela, quando ia para casa, para onde eu a estava levando. – Justin deu de ombros.
Bruce assentiu. Sua expressão se suavizando aos poucos.
- Tudo bem. Você disse que ela está lá em cima?
Justin concordou com a cabeça mais uma vez, sua expressão sem emoção enquanto ele pensava no que faria a seguir.
- A mantenha aqui. Ela não vai embora. – Bruce sentou-se no sofá mais uma vez.
- Como assim ela não vai embora? – Justin arqueou as sobrancelhas – Eu disse à vadia que ela iria para casa e honestamente eu não a quero aqui. Ela é irritante.
- Ela sabe demais. – Bruce explicou, levando a latinha aos lábios.
- Eu não acho que ela vá falar alguma coisa, cara. Ela nem parecia tão assustada, para começo de conversa.
- Não posso correr esse risco, Bieber. Quem nos garante que assim que ela sair, a polícia não vai aparecer? Se isso acontecer estaremos ferrados por todas as merdas que já fizemos. É mais seguro assim.
- Bruce, eu realmente não quero essa garota aqui e Kayla já está me enchendo o saco sobre ela. – Justin rosnou.
Bruce suspirou.
- Olha, não podemos nos assegurar. Ela vai, pelo menos, passar a noite. Vou decidir o que fazer com ela amanhã. A garota fica.
Justin sentiu sua mandíbula se contrair e seus olhos se estreitarem. Sem dizer uma palavra, ele foi para cima de Bruce, acertando um soco de direita no seu maxilar.
Um gemido veio de Bruce.
- O que é isso, cara? – Ele cuspiu antes de se levantar e empurrá-lo para trás até as costas de Justin colidirem com a parede atrás dele. Bruce o prendeu ali para dar um soco em seu estômago.
Justin fez uma careta de dor, já tendo passado por pior para fazer um som.
- Merda! – murmurou.
Bruce acertou mais uma vez em Justin, mantendo seus braços contra a parede.
- Vá lá para cima e se acalme antes que faça alguma bobagem que vá matar você. – Bruce murmurou baixo.
- Sou o melhor que você já teve nessa sua vidinha de merda. Se me matar, você não é nada. – Justin zombou com raiva.
- Tenho certeza de que podemos encontrar outra pessoa para colocar no seu lugar. – Ele zombou de volta.
Justin e ele sabiam que ele estava falando sério, mas eles também sabiam que ninguém se comparava à Justin.
Empurrando-o contra a parede, Bruce limpou o sangue de sua boca. Amaldiçoando Justin, voltou a se sentar no sofá.
O peito de Justin subia e descia com cada respiração furiosa que dava. Girando nos saltos de suas botas pretas, ele se pôs a subir as escadas. Murmurando palavras incoerentes para si mesmo, Justin passou pelo seu quarto, indo em direção ao final do corredor.
Abrindo a porta com força, ele entrou em um quarto, pegando Kayla de surpresa.
- O que está fazendo aqui?
- Me dê algumas roupas! – Ele ordenou.
- Pra quê? – Ela cuspiu.
- Só me dê uma camiseta qualquer sua ou qualquer outra coisa, Kayla. Não tenho tempo para as suas besteiras. – Justin falou com amargura.
- Para que precisa das minhas roupas? – Ela ergueu uma sobrancelha, colocando as mãos nos quadris.
- Tenho negócios a tratar. Só me dê logo algumas roupas ou eu mesmo vou pegar. – Ele respondeu, friamente.
Cerrando os dentes, Kayla se forçou a ir ao seu guarda-roupas e revirar suas coisas. Escolhendo uma camiseta e um par de shorts, ela os jogou para Justin, que as pegou sem problemas.
Saindo do quarto, ele se dirigiu até o seu, abrindo a porta e a fechando após entrar. Jogando a camiseta e os shorts em Kelsey, ela se assustou.
- O que é isso? – Ela questionou.
- Uma roupa. Vista – Justin respondeu, com seus olhos escuros e bravos encarando os lindos e calmos de Kelsey.
- Por quê? – Os olhos dela pousaram sobre seu rosto ferido. Seus olhos se abriram mais ainda – O que aconteceu com você? – Ela ficou boquiaberta.
- Garotas e suas perguntas. – Justin murmurou, sacudindo a cabeça – Só vista a maldita camiseta!
Kelsey pulou, sem ter conhecimento da raiva de Justin até ele explodir. O medo tomando conta dela.
- Para que me deu isso? – Ela sussurrou.
- Para a minha saúde. – ele respondeu com amargura – O que acha? – Ele falou sarcasticamente como se a resposta fosse a mais óbvia do mundo – Você vai ficar aqui hoje à noite. – Ele murmurou.
- Eu pensei que iria embora.
- Mesmo? Bom, pensou errado. Você vai ficar aqui essa noite. Vista as roupas e se acomode porque até onde eu sei você não vai a lugar algum.
Kelsey sentiu seus olhos se estreitarem.
- Onde eu vou dormir?
- No chão, divirta-se. – Justin se virou, sentindo-se frustrado ao acenar para ela ainda de costas e sair do quarto, o trancando logo depois – Vadias irritantes.
Justin passou uma mão entre os fios de seu cabelo. Ele nem sequer se deu conta de que fazia mais uma vez seu caminho para o quarto no fim do corredor até abrir a porta do quarto de Kayla, e fechá-la atrás de si.
- O que raios você quer agora? – Ela cuspiu.
Justin simplesmente a ignorou, passando um braço por sua cintura, a trazendo para mais perto, unindo seus lábios com pressa.
Com o passar do tempo, os dois estavam livres de suas roupas e deitados sobre os lençóis da cama de Kayla, seus corpos nus pressionados juntos enquanto se mexiam de forma ritmada.
Se Kayla era boa em alguma coisa era em fazê-lo esquecer sobre tudo e era exatamente isso que ele precisava nesse momento.
Esquecer.

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